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FERIDA ABERTA!!

Figueiredo tinha poder de autorizar execuções, com conhecimento de Geisel; 104 brasileiros foram executados sob Médici

10 de maio de 2018 às 16h35


Washington, April 11, 1974

ASSUNTO
Decisão do presidente brasileiro Ernesto Geisel de continuar com execuções sumárias de subversivos perigosos sob certas condições
1. [1 parágrafo (7 linhas) não desclassificado, ainda sigiloso]
2. No dia 30 de março de 1974, o presidente brasileiro Ernesto Geisel encontrou o General Milton Tavares de Souza (chamado Milton) e o General Confúcio Danton de Paula Avelino, respectivamente o atual e o futuro chefe do centro de inteligência do Exército (CIE). Também estava presente o general João Baptista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI).
3. O general Milton, que foi o que mais falou, descreveu o trabalho do CIE contra alvos de subversão interna durante o governo do ex-presidente Emilio Garrastazu Médici. Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista. Neste sentido, o General Milton disse que cerca de 104 pessoas nesta categoria tinham sido sumariamente executadas pelo CIE durante o último ano. Figueiredo apoiava esta política e sugeriu sua continuação.
4. O Presidente, que comentou sobre a seriedade e os aspectos potencialmente prejudiciais desta política, disse que gostaria de estudar a matéria durante o fim de semana antes de chegar a uma decisão se deveria ou não continuar. No dia primeiro de abril, o Presidente Geisel disse ao General Figueiredo que a política deveria continuar, mas que grande cuidado deveria ser tomado para ter certeza de que apenas subversivos perigosos fossem executados. O Presidente e o General Figueiredo concordaram que quando o CIE prendesse uma pessoa que se enquadrasse nesta categoria, o chefe do CIE deveria consultar o General Figueiredo, que deveria aprovar antes que a pessoa fosse executada. O Presidente e o General Figueiredo também concordaram que o CIE deveria se dedicar quase totalmente à subversão interna, e que as ações do CIE deveriam ser coordenadas pelo General Figueiredo.
5. [1 parágrafo (12½ linhas) não desclassificado, ainda sigiloso]
6. Uma cópia deste memorando vai ser oferecida ao secretário de Estado assistente para assuntos interamericanos. Nenhuma outra distribuição está sendo feita.
W.E. Colby
PS do Viomundo: O documento foi divulgado no Escritório do Historiador do Departamento de Estado dos Estados Unidos e o link disseminado no twitter pelo professor e pesquisador Matias Spektor.
Chefe do SNI, Figueiredo posteriormente foi escolhido para suceder Geisel e comandar a “abertura lenta, gradual e restrita” da ditadura.
Ao migrar do SNI para o Planalto, o general Figueiredo foi repaginado: trocou a farda pelo terno e os óculos escuros por óculos claros. Passou a ser chamado de “João”, no Jornal Nacional — e a andar de braços dados com Roberto Marinho.
Marinho, grande fiador e beneficiário da ditadura, lá atrás já tinha pressionado o primeiro ditador do golpe de 1964, Castello Branco, a adiar as eleições e permanecer no poder, o que de fato aconteceu.
No lobby pela perpetuação do golpe, Marinho trabalhou com o general Geisel e com o então chefe do SNI, Golbery do Couto e Silva, conforme mostra o documento reproduzido acima, um telegrama do embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, ao secretário de Estado, de 14 de agosto de 1965.
Marinho, fonte das informações repassadas por Gordon a Washington, construiu seu império televisivo com dinheiro da Time Life, de Henry Luce, anticomunista ferrenho e ativo colaborador informal dos negócios da CIA.
Quem mais era informante do governo dos Estados Unidos, na folha de pagamentos da CIA ou por fora?

Fica outra pergunta óbvia: o Supremo Tribunal Federal vai continuar sentado sobre os crimes da ditadura?

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