ALGUÉM DUVIDA? FINAL

A LÓGICA DOS CLICKS
por Luiz Carlos Azenha
As pessoas que não conhecem como funciona o mercado dos clicks às vezes ficam no escuro sobre o comportamento de quem ganha dinheiro na internet.
Hoje uma clicada vale dinheiro. Pago, muitas vezes, pelo Google. Ou, indiretamente, pela audiência que você vende aos patrocinadores.
Mesmo os jornalões dependem dos clicks. Por isso, eles acabam se rendendo às redes sociais. Uma imensidão de clicks parte do Facebook, onde as pessoas se abrem como jamais se abririam diante de um psicanalista.
Eu conheço editores, jornalistas experimentados, que jamais dariam espaço para as falsas polêmicas das redes sociais, como essa em que um ator pornô se apresenta como campeão da moralidade. Porém, esses editores se rendem à lógica da audiência.
Sabe esse inferno de propaganda nas páginas da internet? É tudo para chamar clicks. Com a queda das verbas publicitárias e a competição violentíssima pelo seu interesse, quem se rendeu a esta lógica precisa escandalizar.
E toma não notícia, manchete distorcida, chamada que não tem nada por trás dela e, principalmente, escândalo.
Você, caro leitor, muitas vezes se engaja nestas polêmicas de corpo e alma. É bom que saiba que alguém está ganhando dinheiro com a sua indignação.
Os meninos do MBL podem ser tudo, menos bobos. Eles têm diante de si um mercado gigante, de gente que está chegando agora ao jogo político, nunca teve sua opinião respeitada e quer interferir.
O povão não tem internet. 70 milhões de brasileiros desconectados! Mas você tem uma classe média despolitizada, que o lulismo promoveu, que está emergindo com todas as suas limitações culturais e de informação. E tem a classe média tradicionalmente conservadora, essa que agora esconde que promoveu Aécio como encarnação da moral e dos bons costumes.
Por isso o MBL atiça essa gente com falsos espasmos de indignação: rende muitos clicks e muitas vendas para a empresa dos estelionatários que devem R$ 20 mi na praça.
É uma milícia virtual atrás de bons negócios, em véspera de ano eleitoral!
Foi por isso que escrevi:
— Vamos proteger essa menina de um “pedófilo”?
— Vamos.
— Joga o vídeo dela na rede!

Você nunca imaginou que o capitalismo conseguiria monetizar sua opinião, né?
PS: As pessoas relutam em contar isso para você porque ninguém quer entregar o “segredo” do meio, né?

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