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AUTORAL

NOTAS SOBRE UM PAÍS DISTÓPICO
                                  Por Maio Spellman. Especial para Utopia.

             
Detalhes sobre o produtoO livro UTOPIA, escrito por Thomas More,em 1516, alcançou seus 500 anos em 2016. Em comemoração, a editora "Autêntica Clássica" publicou uma edição especial bilíngue latim/português. Ler esse livro na atualidade brasileira, parece ser utópico. Na apresentação do livro, o tradutor Márcio Meireles, esclarece sobre as novas traduções do livro "Utopia". Entre elas que, o termo remete ao grego livre “Não lugar” e que uma corruptela do Francês erudito levou o termo para Udetopia, “Não tempo”. Sendo assim, Utopia pode ser traduzido como um não lugar de tempo algum.  
Com o fim das festas juninas, as quais este ano serviram também para anestesiar a dor da crise que vivenciamos, voltamos à realidade.  Muitas coisas aconteceram durante o mês de Junho, mas o patente é que neste mês o País consolidou-se como uma distopia. Distopia: uma "utopia negativa". As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo e a sociedade mostra-se corruptível: as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis e a tecnologia é usada como ferramenta de controle, Qualquer semelhança com o Brasil, não é mera coincidência.
Do impeachment, passando pela lava-jato, até o desgoverno atual, construímos nossa distopia cotidianamente. Tratando o livro de uma ilha chamada Utopia na qual uma  sociedade utopiense valia-se do conhecimento sem a necessidade de nenhum poder sobre-humano e onde o conceito de justiça é aquilo que contribui para o bem-estar do povo e preserva a lei estabelecida em favor do bem comum, no Brasil observamos justamente o oposto: a distopia.
A distopia é a antítese da utopia. Enquanto a utopia existe oferecendo possibilidades de outras interpretações sobre o estado das coisas, distopia reforça um longo presente capturado em si mesmo, reafirmando nada pode ser ou não pode ser. Na distopia tudo já é consolidado na temporalidade infinita, linear, não singular, imóvel e sólida das sociedades globalitárias e mercantilistas.
O Brasil deve resgatar a capacidade que tem de ser utopia e ser esse não lugar de tempo algum. O Brasil é o país do futuro, mas “se quiser ter futuro, a sociedade futura não pode ser futura, mas presente aqui e agora”. 

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