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OSCAR 2017:MOONLIGHT



Moonlight, Sob a Luz do Luar: um filme poético e necessário

Lindo e com conversas importantíssimas, um combo poderoso pra quem quer ver um bom filme
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Um filme sobre a dura vida de um garoto negro que mora na periferia de Miami, uma das maiores capitais dos Estados Unidos, enfrentando amigos violentos, um bairro cercado pelo tráfico de drogas, uma mãe viciada, a ausência de um pai e, mesmo ainda sem saber por ser muito novo, tendo que carregar consigo todos os preconceitos por ser gay.
É essa a trama de Moonlight, Sob a Luz do Luar, filme baseado em uma peça de teatro, escrito e dirigido por Barry Jenkins, de apenas trinta e sete anos.
O que esperar desse pequeno recorte? Mais um filme que envolve rap e gangues, violência gráfica e tiros, o mito do herói torto que vive bruto e pelas sombras, porque foi assim que o mundo lhe ensinou a caminhar.
Sim?
Nada disso.
Dividido em três partes, Moonlight conta uma história graciosa, delicada, bonita, imersa em compaixão. Uma película clara, cheia de luz, extrapolando claridade e clareza no que ser quer passar.
Chiron sofre perseguição dos colegas de escola e se sente deslocado da rotina e de como as coisas acontecem. Ele não se encaixa. Em seu caminho, Juan– numa baita atuação de Mahershala Ali, mais conhecido por seu papel do lobbista em House of Cards – é um traficante de drogas que se torna uma espécie de figura paterna ou de mentoria. Sua mãe, Naomie Harris (de Skyfall e Piratas do Caribe), é viciada em pedras de crack e transita entre cuidados extremos e o desleixo com o filho, a sina do viciado.
Quando adolescente ele conhece Kevin (Jharrel Jerome) e tem com ele seus arroubos e descobertas da idade, entende muito mais de suas vontades, sua própria identidade, as delícias e tragédias que a vida lhe impõe. Já adulto, agora ele é Black, um traficante musculoso e de cara sisuda, mas que mantém muito do Chiron ainda menino e jovem.
Tudo isso em Moonlight é exibido não nas trevas, mas na luz estourada da praia, em suas águas claras, no céu branco do bairro de Liberty City, no neon da noite em Miami. O filme dá contrapeso ao que vemos como esteriótipos e não mostra pessoas derrotadas ou violentas, mas um traficante de fala sensata, atenciosa, uma pessoa disponível. Chiron é, em suas três fases muito bem desenvolvidas pelos atores Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes, observador e não reativo, uma pessoa que busca no silêncio e na imobilidade alguma resposta ou providência de ajustes. Aliás, o filme é todo estruturado em diálogos que não ocorrem, em momentos calados que dizem muito mais que qualquer conversas, que falam os olhares, o visual de cada movimentação. O Mistério.
A trilha sonora em Moonlight é extremamente necessária, temas eruditos e solos de violino, esse misto de delicadeza e tensão que move a história, o amável e o impetuoso, esse não saber qual tom vai dar a próxima nota, qual rumo vai dar a próxima cena.
Uma vida complicada e bonita, uma história com beleza singular e doída como não precisava ser, como não poderíamos aceitar que pudesse ser.
Moonlight é um filme necessário e agradável, poético e cheio de frescor, de novidade.
O cinema precisa muito disso. A gente também

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