Pular para o conteúdo principal

OSCAR 2017: MANCHESTER À BEIRA-MAR



Manchester à Beira Mar

Manchester à Beira Mar

  • 137 MIN
  •  
  • DRAMA
Dor sem cura
por 





Não é fácil realizar um filme como Manchester à Beira-Mar sem cair no melodrama. Nove em dez diretores/roteiristas optariam pelo choro fácil, por sequências desesperadas, mas este não é o caso do dramaturgo Kenneth Lonergan (Conte Comigo). Com um grande background no teatro, o cineasta evita ao máximo momentos catárticos e cria um ambiente angustiante e de um tristeza tão reprimida que abala (e muito) o espectador.

Manchester à Beira-Mar - Foto
A trama gira em torno de Lee Chandler (Casey Affleck), um jovem de boa família que trabalha como zelador em um prédio de Boston. Determinado dia, recebe a notícia de que seu irmão (Kyle Chandler) faleceu. Então, retorna para sua terra natal para se despedir do irmão e cuidar do sobrinho Patrick (Lucas Hedges).

Lee descobre que o irmão deixou a guarda do filho para ele, mas que deveria se mudar para a cidade deles. O problema é que um trauma no passado de Lee faz com que queira distância daquele lugar. 

O filme conta com uma atuação enorme de Casey Affleck, que já havia entregado grandes performances em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e Medo da Verdade. Lee Chandler é um personagem reprimido, traumatizado e pouco expressivo. Mas pouco expressivo na medida em que não se desespera, pois diz muito através de seu olhar. A dinâmica com o sobrinho é excelente, principalmente pela revelação que é Lucas Hedges. O jovem é bastante carismático e se sai bem nos momentos dramáticos e também nas cenas em que deve agir como adolescente rebelde.

Manchester à Beira-Mar - Foto
Michelle WilliamsTate DonovanGretchen Mol e Matthew Broderick completam o elenco da produção. Todos estão bem, mas é impossível não destacar a presença de Williams. A atriz de Namorados para Sempre e Sete Dias com Marilyn surge em apenas três sequências. E rouba a cena em todas elas. Em uma, especificamente, em que conversa com Affleck sobre o trauma vivido por eles, será difícil o espectador não chorar.

Passado numa cidade litoral, durante um inverno pesado, o longa absorve este clima de frieza e isolamento, e passa para boa parte dos personagens. É uma obra que não grita, mas fala com uma agonia desesperadora, sem deixar de lado aquele bom humor típico que quem tenta aliviar um cenário de dor e perda.

Manchester by the Sea (no original) conta com uma ótima direção de fotografia de Jody Lee Lipes, que consegue estabelecer uma diferença clara nas sequências no presente e no passado. É interessante como a imagem transmite um cenário mais alegre nos flashbacks, em contrapartida a toda frieza da linha do tempo principal, por mais que seja no passado que aconteça o evento mais traumático. Passa bem a ideia de que a partir daquele ponto, a vida de nenhum dos personagens foi a mesma.

Manchester à Beira-Mar é um longa pesado sobre perda e recomeço, contando com um roteiro que transborda sensibilidade e humanidade. Trata-se de uma obra extraordinária sobre a vida e seus percalços. Sobre o amor, mas também sobre a dor, que por vezes é tão insuportável que transforma pessoas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE DOWN

Professora Débora, que tem síndrome de down, à desembargadora: Ensino às crianças “que tenham respeito pelas outras” Débora Araújo Seabra de Moura tornou-se a primeira professora brasileira com síndrome de down. Ela já publicou um livro, Débora Conta Histórias, que traz fábulas sobre o direito de ser diferente. Segundo a Tribuna do Norte, faz 13 anos ela trabalha como professora assistente na Escola Doméstica, de Natal. Foi a notícia de que o Brasil tinha professora com síndrome de down que levou a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a fazer uma postagem num grupo fechado do Facebook. Marília é a mesma que escreveu que a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio, era “engajada com bandidos” e teria sido eleita pelo Comando Vermelho. Depois disso, internautas foram atrás de outras postagens de Marília. E encontraram esta, a um grupo fechado do Facebook:  “Voltando para a casa e, porque vivemos em uma democracia, no rádio a única opção é a V…

PODERIA SER EM CAMPINA GRANDE!!

Onde foi que eu errei?CARLOS MOTTA SEX, 05/10/2018 - 18:47 Onde foi que eu errei?, por Carlos Motta Posso estar enganado, mas acho que uns 80% dos meus amigos, colegas e conhecidos de infância, adolescência e de jovem adulto da Jundiaí onde me criei, vão votar neste domingo no candidato presidencial que odeia homossexuais, negros e nordestinos, faz apologia à tortura, glorifica a ditadura militar, despreza a cultura e as artes, é a favor da venda indiscriminada de armas de fogo, pensa que o sexo feminino é inferior ao masculino, quis cometer atentados terroristas quando servia ao Exército, e enriqueceu, de modo mais que suspeito, depois que virou político, não apenas a si próprio, como a toda a sua família. Jornais de todo o mundo civilizado têm alertado que a sua vitória representaria um gigantesco retrocesso ao processo civilizatório brasileiro e à incipiente democracia que o país vive. Desde jovem, talvez sob a influência de meu pai, o saudoso capitão Accioly, carrego uma profunda o…

MUSEU: TRAGÉDIA ANUNCIADA

Em 2017, mais brasileiros foram ao Louvre, em Paris, do que ao Museu NacionalRafael BarifouseDa BBC News Brasil em São Paulo
Museu Nacional teve menos visitantes em 2017 do que o número de brasileiros que visitou o Museu do Louvre no mesmo ano. O Museu Nacional registrou 192 mil visitantes em 2017, segundo informou a assessoria de imprensa da instituição à BBC News Brasil. No mesmo período, 289 mil brasileiros passaram pelo Louvre, em Paris, na França, uma das principais instituições de arte do mundo, segundo registros do próprio museu. O número de brasileiros que visitaram o museu francês é 50,5% superior à visitação total da instituição brasileira.  O Louvre teve um aumento de 82% do número de visitantes do Brasil no ano passado em relação a 2016. Foi o segundo maior crescimento de público de um determinado país - os russos lideram com 92%. Os brasileiros foram a terceira nacionalidade que mais visitou a instituição, atrás apenas de americanos e chineses. Representaram 3,5% dos 8…